A estratégia da terra queimada e a importância da paz nos territórios
A estratégia da terra queimada e a importância da paz nos territórios
Após o Cerco de Almeida, entre agosto de 1810 e maio de 1811, as tropas de Masséna enfrentaram uma dificuldade acrescida nos caminhos entre Almeida e as Linhas de Torres Vedras: a escassez de recursos.
A estratégia de Wellington, conhecida como terra queimada, procurava deliberadamente impedir que as tropas francesas encontrassem na região os meios necessários à sua subsistência. “A destruição das oliveiras e laranjeiras levada a cabo por Wellington e o incêndio das aldeias e das colheitas ao longo do caminho de Masséna significava para os franceses que não poderiam viver dos proventos da terra.”
A eficácia militar desta estratégia teve, contudo, consequências devastadoras para o território, atingindo diretamente a população civil portuguesa. “Alguns historiadores situam o custo em termos de vidas portuguesas perdidas devido à fome (...) em cerca de cinquenta mil — 2% da população total do país —, mas, qualquer que seja o número, a vitória de Wellington foi paga a um preço elevado em vidas de civis.”
A dimensão da devastação mereceu um comentário de Napoleão sobre o comandante britânico: “Wellington é sem dúvida um homem inteligente. Esta devastação total de um país foi engenhosamente concebida. Nem eu, com todo o meu poder, teria sido capaz de o fazer.”
Séculos depois, é precisamente perante esta memória de sofrimento que a evocação da paz ganha um significado particular. Recordar a guerra é também compreender as suas consequências e reconhecer o valor da paz.
Neste dia de encerramento da Recriação Histórica do Cerco de Almeida 2026, o Município de Almeida reafirma o seu compromisso com a paz entre os povos. A reunião simbólica de antigos inimigos, em celebração da História e da memória coletiva, convida-nos a olhar para o passado com consciência, reconhecendo o custo da guerra e valorizando a memória como caminho para o diálogo e a paz.
Referência bibliográfica:
ROBERTS, Andrew (2001). Napoleão e Wellington. Lisboa: Verbo, pp. 141–142..



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